Vida útil das edificações

 

 

 

 

 

 

 

 

Optei sobre um assunto pouco publicado para iniciar, que será sobre vida útil de uma edificação, assunto que é frequentemente discutido na área da Patologia das Construções, infelizmente pouco no dia-dia dos profissionais envolvidos na construção civil. Sobre a Patologia das Construções, pode-se dizer que é nova na Engenharia Civil. Etimologicamente, o termo patologia significa o estudo das doenças (do grego: pathos=sofrimento, doença, e logos= estudo, doutrina). Quando empregada na engenharia a patologia pode ser definida como o seguimento da engenharia que estuda os sintomas, os mecanismos, as causas e as origens de degração de uma edificação, e também a prevenção e correção (tratamento) da mesma.

Ao longo do curso, aprendemos sobre os principais materiais utilizados na construção civil, bem como sua aplicação e utilização, e por fim técnicas de execução. No entanto, tais técnicas mostram-se deficientes, por serem de difícil compreensão, ou mesmo inexistentes, dentro da metodologia de ensino atual.  Quando de sua formação, grande parte de nós atuará na execução de obras, sendo supervisionados por um colega Engenheiro de maior experiência. Não entrarei no mérito de projeto e cálculo, pois são extensos, mas advirto que são de suma importância para a compreensão da vida útil de uma edificação.

O que definirá sua vida útil? Talvez a maior influência para definir a vida útil da edificação é a responsabilidade e habilidade de quem constrói a mesma, no que compete a uma empresa, ou profissional autônomo habilitado para tal empreitada. Mas este não é um assunto simples, pois abrange uma grande quantidade de tópicos, tendo abaixo listados as fases que mais impactam na vida útil das edificações, ou sua alteração.

  • Projeto (desde a preconcepção, onde são realizados os estudos preliminares, como por exemplo, o projeto estrutural, projeto executivo, projetos complementares, cronogramas, etc.);
  • Execução (a construção em si, e alterações práticas mediante necessidade e viabilidade);
  • Utilização (pode-se também se aplicar durante a fase de execução).

Antes de prosseguirmos, não podemos deixar de esclarecer que a vida útil de uma edificação é comumente definida como o período de tempo no qual a estrutura, ou componente estrutural pode cumprir sua função projetada, sem custos importantes de manutenção. Ou seja, deverá estar sob manutenção preventiva, prevista em projeto, mas sem sofrer manutenção corretiva durante esse período.

Outro conceito que se deve lembrar e que está ligada a vida útil, é o desempenho de uma edificação, que é a tradução das necessidades humanas e compreende diversos requisitos como estabilidade estrutural, segura no uso e operação, estanqueidade, desempenho acústico, ambiental, dentre outros.

O desempenho da edificação é outro fator de suma importância a ser levado em consideração, já que compreende requisitos diversos, como estabilidade estrutural, segurança operacional e/ou de uso, estanqueidade, isolamento termo e acústico, dentre outros, e influencia diretamente na vida útil da mesma.

Uma vez salientadas a responsabilidade ou competência do profissional que terá de definir a vida útil da edificação, é a vez de determinar e relacionar a aquisição e uso de material, pois está ligado à economia, mas será posteriormente abordado, devido à impossibilidade de inclusão neste artigo.

Segundo exemplo de um Mestre, reproduzo aqui uma de suas citações: “Tecnicamente, tudo é viável. Economicamente, nem sempre”.

Como dito anteriormente, o assunto é complexo, pois desconheço um estudo completo que auxilie na determinação real da vida útil de uma residência, mas admite-se que a vida média de uma edificação é de 40 anos. Tente dizer ao cliente que o dinheiro que ele geralmente planeja para uma vida toda, que é aquisição de uma imóvel residencial que irá ter uma vida útil de 40 anos, ele vai correr de você.

Admite-se que a vida útil de uma edificação é, em média, de 40 Anos – levando em consideração sempre a grande dificuldade em encontrar um estudo suficientemente detalhado e exemplificado sobre o assunto, até no que tange a determinação da vida útil de uma edificação que você irá projetar. Finalizo pedindo a sua opinião e também dados ou estudos que possam acrescentar ao assunto.

 

Fonte: Prof. Christian Donin. UNISC.

Colaborador: Aldo Werle